No balanço de um fim de semana completo de vida, descobri, sem grande surpresa, mais um defeito em mim. Que não sou uma pessoa paciente, já eu sabia. O que não sabia tão acentuadamente é que detesto o famoso bater no ceguinho ou na mesma tecla, tanto faz. Não gosto de histórias repetidas, não gosto de ouvir dezenas de vezes a mesma desgraça ou o mesmo feito heróico. Dou por mim a interromper a pessoa com um "já me tinhas contado isso" ou a deixar de ouvir e submergir noutro mundo de onde só regresso quando acabou o discurso. Gosto de novidades, de gente que não anda sempre atrás do mesmo. Quando já se chegou ao fundo do poço, de que adianta andar a remexer, a relembrar a recontar? Quando se teve piada uma vez, para quê contar a mesma piada mil vezes? Não faz sentido absolutamente nenhum. A atenção que prestei da primeira vez não a consigo ir buscar de novo. E não consigo fingir.
E esse é outro. Deveria conseguir fingir muito mais. Fazer de conta. Dizer aos outros aquilo que eles querem ouvir e mostrar-me compreensiva até com as asneiras e, se calhar, apoiá-las. Um dia, disseram-me que toda a gente gosta de ser enganada e começo a achar que é um bocadinho assim. Mas isto fica para outro dia.
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