Afinal, não é o sonho que comanda a vida, não. O que comanda a vida é o que, figuradamente, chamamos coração. O coração, esse que anda por aí nos pescoços em fios ou nos pulsos em pulseiras, cravado nas árvores com dois nomes a jurarem partilhar a vida eternamente, esse é que faz a diferença. Símbolo dos afectos, das uniões, dos desejos, quando não está bem, nada mais está bem. Pode ter-se mil viagens de sonho, mil jantares com amigos, mil músicas novas que nada disso tem significado nenhum. Falta algo. Melhor, falta alguém. Alguém que preencha esse espaço e esse tempo, que nos transporte para outra dimensão, a quem nos entreguemos sem medo, só porque sim. Por causa do título do livro, dei por mim a pensar que grande parte dos problemas que andam por aí (homens incluídos, obviamente!) se devem mesmo à falta de amor ou ao amor pelo objecto errado. Não se ama com quem se está e culpa-se o tempo, a vida, a rotina. Mas não se dá o salto. Não se encontra quem se quer, mas encontra-se alguém e não se está só. Pensa-se que isso chega, que é suficiente para se ter uma vida. Acaba-se por se ter uma vida sem sentido onde se buscam mil sentidos. Passeia-se a solidão nas lojas e nos sacos que se trazem para casa, esconde-se a frustração nos filhos que são lindos e o melhor que se tem. O importante é não pensar. É fingir alegremente que se vive. É calar o coração que, a ser ouvido, só traz problemas.
2 comentários:
E ainda há outras pessoas que com um só coração amam mais do que um, sendo amado por esses; é complicado!
Deve ser, deve!
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