Há gente com o coração demasiado perto da boca e os ouvidos e o estômago e tudo isso que os faz perder o controlo e dizer tudo o que pensam, o que fazem, o que sentem. Libertam-se falando, assumem-se como são, cheios de medos, convicções, opiniões e defeitos. Muitos defeitos. Reconhecem-se e fazem com que os outros os conheçam. Não só se tornam fáceis como se vulneráveis. Sabem disso. Só não sabem é ser de outra maneira.
Depois há os songa-monga. Caia a ponte ao lado deles ou haja foguetes e risos, a expressão facial é sempre a mesma. Um sorriso custa a arrancar e uma conversa resume-se a 5 segundos bem medidos. Não exprimem o que lhes vai na alma (alguma coisa tem de lá ir...) e a maior parte das vezes ignoram a pergunta que lhes é feita como se tivessem um problema auditivo em vez de um problema de expressão. Fazem de conta que estão sempre bem. Agradam, a gregos e a troianos. Aparentam apenas qualidades, porque não criticam, não ajuízam, não opiniam ou, se o fazem, é no sentido do interlocutor. Parece que não lhes corre sangue nas veias, não se dão às dores nem as alegrias. Incomodam-me. Parecem feitos de outra coisa que não humana.
3 comentários:
São esperatas essas pessoas. Eu gostaria de ser um bocadito assim.
São esponjas; mas são pessoas assim que obtêm sucesso visível.
esperatas foi bonito...
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