Quando apareceram os telemóveis, toda a gente achou uma ideia brilhante ao ponto de só se ser gente tendo, pelo menos, um telemóvel. Estar contactável a toda a hora, ligar só porque sim e poder enviar sms a dizer nada tornou-se um hábito vital para toda a gente. Mal se consegue recuar aos tempos em que era preciso chegar a casa para poder pôr a conversa em dia, em que não havia hipótese de se desculpar de um atraso a um encontro ou de escrever "amo-te" em vez de o dizer olhos nos olhos. Tornámo-nos todos telemóvelodependentes. Um dia em que se esqueça o telemóvel em casa é um dia em que nos falta alguma coisa, em que não fazemos parte do mundo e em que o nosso pequeno mundinho que nele está armazenado ficou ali abandonado.Agora que qualquer empresa de televisão por cabo e de internet oferece pacotes de chamadas ilimitados para a rede fixa completamente gratuitos, na compra, evidentemente, de outros serviços pagos a peso de ouro, tenho para mim que se irá regressar aos pouquinhos à mentalidade da privacidade. Entrar-se-á na era da libertação dos telemóveis. Demorará o seu tempo, é certo, porque as mudanças de mentalidades (e de hábitos) demoram que se farta.
Poder falar ao telefone apenas quando apetece é muito bom. Não atender porque não estava em casa sem que toda a gente fique preocupada a inventar mil cenários catastróficos ou de desprezo, é muito bom. Poder andar livremente sem estar a ser incomodado a torto e a direito é importante. Só se saber de nós quando estamos em casa é bom e não levar com a pergunta imediata "onde é que estás?" quando há algum barulho de fundo, é óptimo. Falar horas e horas sem gastar um tostão é execlente. E para escrever o "amo-te" há sempre os e-mails... de certeza que se escreverá bem mais do que isso.
2 comentários:
Como te compreendo...
Demorei muito tempo a decidir comprar um telemóvel. Agora já sou dependente. Duvido que o telefone fixo volte à época de ouro.
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