"Desligo o telefone com uma sensação estranha e desconhecida. Não haja dúvida que o tempo nos faz distanciar daqueles que tiveram tanto significado na nossa vida ao ponto de os tornar quase irreconhecíveis. Como tu. Não reconheci o número e nem a tua voz. Incrível, não é? Foram tantas as vezes que o marquei e tantas as vezes que falei contigo horas a fio! Sabia os dois de cor. Hoje não. Nem um nem outro. E sou bem mais feliz assim, francamente.
Tinhamos chegado ao fundo do poço tanto tempo antes de pormos realmente o ponto final à história. E o ponto final foi posto quase noutra vida. Por isso não consigo compreender o motivo do telefonema de hoje nem o "só para saber o que é feito de ti". Não só não o consigo compreender como não consigo sentir o mesmo. Quero eu lá bem saber o que é feito de ti?! Não é raiva nem depeito nem nada disso. Não fazes parte do meu mundo, apenas isso. Quando muito fazes parte da história, como uma casa onde vivi, de onde mudei e a cuja rua nunca tive vontade de voltar. Pode ser falta de sensibilidade ou de nostalgia. Mas cá no fundo, parece-me que é mesmo ausência de significado. Porque, para mim, as coisas só têm significado enquanto duram. Tal como as pessoas. Não fico agarrada ao que senti por ti. Se acabou é porque não era lá grande coisa, digo eu. Podia ter dado lugar a um outro tipo de sentimento qualquer, mas não. (In)Felizmente eu não funciono assim.
Este telefonema durou segundos. Não me apetece partilhar contigo o meu presente nem manter conversa de circunstância. Como não me interessa minimamente saber o que é feito de ti. Não te desejo mal. Nem bem. A desejar-te alguma coisa, apenas que nunca mais tenhas vontade de me ligar."
3 comentários:
Que texto brutal...
Já todos estivemos dos dois lados desse texto.
Mas é brutal, sim...
E bom.
É teu?
É citado?
É meu sim! Obrigada.
Não agradeças!
Já mostrei algumas pessoas!
Mandei por email, pois não tens título (não dá para mandar o link directo). Sabes o que me responderam? "Podia ter sido eu a escrever", "podia estar no meu blogue", "possa", etc etc...
Impressionante como conseguiste passar isto a palavras. Muito bem!
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