sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



E pronto. Este blogue fica por aqui.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008



Numa joalharia qualquer(não importa agora qual), antes da hora do almoço (logo, teor de álcool no sangue no limiar da admissibilidade), eis que entram duas senhoras dos seus cinquenta anos que pedem desculpas à empregada pela pergunta "tolinha" que vão fazer e perguntam se existem alianças para divorciado/as. Acrescentam em tom de desculpa que enquanto casadas nunca usaram, mas que agora...

A empregada responde que sim, que existem, mas que não têm.

Eu, incrédula, fui ver e sim, existem mesmo. Símbolo de quê? Talvez de regresso ao mercado...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008


Uma vez que o disco só sai terça-feira, vou aguardar pacientemente por aqui. Bem bom!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008



E de vez em quando, há uma boa notícia!

Aos 30

Ontem, ao ouvir uma amiga recém chegada aos 30, fiquei a pensar que realmente muita coisa mudou nas últimas décadas no lado feminino. E ainda bem.
Dantes, as mulheres tinham o destino traçado, por assim dizer. O máximo que ambicionavam era mesmo casar e ter filhos. Com sorte, uma profissão que lhes ocupasse o tempo no intervalo de serem mulheres e mães. Acima de tudo estava o marido que tratavam, tirando a líbido sexual que reprimiam ou desconheciam, como mais um de quem tinham de tratar. Ele era fazer o partinho preferido dele todos os dias, ter a casa num brinco, aturar o mau humor de cara alegre, não emitir opiniões contrárias à dele que discussões não se querem e ele é que sabe, fazer esticar o dinheirinho que ele entregava e nem perguntar para onde ía o que não era entregue.
Hoje, mudou tudo. As mulheres que hoje têm 30 são bem diferentes das que naqueles tempos tinham 30. Para começar, foram educadas para a igualdade dos sexos: não há cá ele é que sabe, nem ele é que manda; mandam os dois porque sabem os dois. Estudaram tanto ou mais que eles, viram tantos ou mais filmes que eles, viajaram tanto ou mais que eles. Conviveram com tantos deles e delas, conhecem as experiências de vida deles e delas. Aprenderam que não têm de comer e calar. Emitem opiniões tanto ou mais construtivas que as deles. Sustentam-se. Compram os carros e as casas como eles. Vão ao supermercado e passam horas ao telefone umas com as outras. Só os aturam se querem e quando querem. Não estão com ninguém por obrigação e não gostam de responder a interrogatórios porque também não os fazem. As lides domésticas são para ser partilhadas com eles. Se eles não sabem, aprendem, que elas também aprenderam sozinhas, vendo e fazendo, como tudo.
Tornam-se mais exigentes. Não estão para qualquer coisa. Sobretudo, não estão para qualquer um. E isto, que, à primeira vista, é o mais acertado, torna-se um problema que só se desabafa com elas, as outras, as iguais. Onde é que tanta exigência vai levar?
É que as mulheres de 30 que estão sozinhas por opção, sentem a pressão dos outros que não acham normal ainda não estarem casadas e rodeadas de filhos, que as olham de lado porque a explicação só pode ser um grande mau feitio. Duvidam de si mesmas e questionam a ingratidão do ego que não soube dar valor a quem já passou e que até tinha algumas qualidades, mesmo que não as suficientes para ficar. Sentem o relógio biológico em contagem descrescente, a vontade de ser mães, mas a vontade de arranjar um pai certo. Pesam as qualidades e os defeitos de quem se aproxima e não hesitam em mandar à vidinha quem as chateie muito. Chateiam-se consigo mesmas por causa disso.
Não sofrem porque se anulam, como dantes. Mas sofrem porque não conseguem sentir o que era suposto sentirem.
E eu cá acho que é só tudo uma questão de mais um bocadinho de tempo. Que os 30 de hoje não são os 30 de antigamente. E que a exigência só torna as coisas mais sólidas. E que o relógio biológico vai ser ajudado pela ciência. E que no final de contas, vai tudo correr bem.
(À A.)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008




Qualquer semelhança




será mera coincidência!





"Desligo o telefone com uma sensação estranha e desconhecida. Não haja dúvida que o tempo nos faz distanciar daqueles que tiveram tanto significado na nossa vida ao ponto de os tornar quase irreconhecíveis. Como tu. Não reconheci o número e nem a tua voz. Incrível, não é? Foram tantas as vezes que o marquei e tantas as vezes que falei contigo horas a fio! Sabia os dois de cor. Hoje não. Nem um nem outro. E sou bem mais feliz assim, francamente.

Tinhamos chegado ao fundo do poço tanto tempo antes de pormos realmente o ponto final à história. E o ponto final foi posto quase noutra vida. Por isso não consigo compreender o motivo do telefonema de hoje nem o "só para saber o que é feito de ti". Não só não o consigo compreender como não consigo sentir o mesmo. Quero eu lá bem saber o que é feito de ti?! Não é raiva nem depeito nem nada disso. Não fazes parte do meu mundo, apenas isso. Quando muito fazes parte da história, como uma casa onde vivi, de onde mudei e a cuja rua nunca tive vontade de voltar. Pode ser falta de sensibilidade ou de nostalgia. Mas cá no fundo, parece-me que é mesmo ausência de significado. Porque, para mim, as coisas só têm significado enquanto duram. Tal como as pessoas. Não fico agarrada ao que senti por ti. Se acabou é porque não era lá grande coisa, digo eu. Podia ter dado lugar a um outro tipo de sentimento qualquer, mas não. (In)Felizmente eu não funciono assim.

Este telefonema durou segundos. Não me apetece partilhar contigo o meu presente nem manter conversa de circunstância. Como não me interessa minimamente saber o que é feito de ti. Não te desejo mal. Nem bem. A desejar-te alguma coisa, apenas que nunca mais tenhas vontade de me ligar."